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sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Seminário de boas práticas "Ler e escrever"


Confabulando com Fábulas: Reescritas realizadas pelos alunos- Programa Ler e Escrever

APRESENTAÇÃO

O presente trabalho apresenta a conclusão do Projeto Didático “Confabulando com Fábulas” do Programa Ler e Escrever e contém algumas das reescritas feitas pelos alunos do 4º ano “A” da E.M.E.B. “Dr. Valeriano Gomes do Nascimento”- CAIC, sob a orientação da professora Priscila de Oliveira Canto Costa.

Durante seu desenvolvimento, realizamos roda de conversa, entrevista com a família, leitura de diversas fábulas, em prosa e em verso, ampliando assim o repertório de fábulas conhecidas, comparação de duas versões de uma mesma fábula, comparação entre fábulas diferentes, produção de novas morais, alteração dos finais das fábulas, transformação de um gênero em outro, interpretação oral e escrita, discurso direto e indireto, características das fábulas, recursos expressivos utilizados na produção de fábulas e produção oral.

O ponto culminante do trabalho foi a reescrita de fábulas. Houve momentos de produção coletiva, em grupos, duplas e individual. Da mesma forma, a revisão dos textos foi realizada em data show pelos alunos, coletivamente, junto com a professora, abordando um aspecto por vez: ortografia, coerência e coesão e estruturação (pontuação, paragrafação, usa de letra maiúscula). Os alunos conseguiram revisar os textos por eles produzidos, com foco nos aspectos discursivos e notacionais e avançar em suas produções.

Foi realizado também o trabalho com o Esquema de Ações e os Patamares de Aproximação Ortográfica do Programa Algar Educa 2.013, durante as escritas e revisões textuais, que muito contribuíram para o significativo avanço dos alunos em Produção de textos.

Os materiais utilizados foram: Ler e escrever - Guia de Planejamento e Orientações Didáticas do 4º ano, folhas de atividades do aluno, fotocópias de fábulas, data show, sala do Próinfo e fantoches para dramatização.

Para finalizar, os alunos digitaram as fábulas que não haviam sido corrigidas no data show, pois estas já estavam digitadas e revisadas pelo grupo. Confeccionamos dobraduras e desenhos para ilustrar as histórias e reunimos os textos impressos para a leitura em público e divulgação do nosso trabalho, que para o acesso de todos também estará disponível no blog da classe: http://alunosdos4sanoscaic.blogspot.com.br/2013/07/confabulando-com-fabulas-reescritas.html

O tempo de duração do Projeto, que recebeu o título de Aprendendo com os animais foi de um semestre.
 
 

OBJETIVOS

Fazer uso:

ü  na leitura e na produção de fábulas dos recursos linguístico-discursivos próprios do gênero;

ü  de estratégias e capacidades na leitura para construir sentidos sobre as fábulas lidas, fazendo inferências sobre informações das fábulas, considerando o contexto em que foram produzidas e comparando diferentes fábulas observando e relacionando os diferentes sentidos produzidos pelo uso dos recursos da linguagem;

ü  de procedimentos de produção de texto na recriação- oral ou escrita- das fábulas, envolvendo: apropriar-se de procedimentos de escritor, tais como planejamento, a escrita e a revisão da fábula, tendo em vista critérios previamente discutidos e colocando em diálogo diferentes versões de fábulas para recriá-las ou criar outras, a partir de análise dos argumentos ou da moral previamente apresentados.

ü  dos recursos linguísticos e estilísticos próprios da fábula, explorados durante a leitura e também durante a revisão coletiva de produções, para produção de outras fábulas.

 

HABILIDADES E PROCEDIMENTOS- REC 4º ANO

 

1)    Produzir textos escritos procurando adequar aspectos discursivos e notacionais.

 

  • Empregando, na produção de textos, os aspectos notacionais e discursivos:

*divisão do texto em frases por meio de recursos do sistema de pontuação: maiúscula inicial, ponto final, de exclamação, de interrogação e reticências; organização de frases em parágrafos;

*separação no texto entre discurso direto e indireto e entre turnos do diálogo, utilizando travessão, dois pontos ou aspas;

*indicação, por meio de vírgulas, das listas e das enumerações no texto;

*estabelecimento das regularidades ortográficas (inferências das regras, inclusive as de acentuação) e constatação das irregularidades ortográficas (ausência de regras);

*acentuação das palavras: regras gerais relacionadas à tonicidade;

*organização das ideias de acordo com as características textuais do gênero;

*utilização progressiva de recursos coesivos oferecidos pelo sistema de pontuação e pela introdução de conectivos mais adequados à linguagem escrita, expressões que marcam temporalidade e causalidade, substituições lexicais, manutenção do tempo verbal;

*usando a regência verbal e a concordância verbal e nominal (com ajuda, se necessário).

 

2)    Imprimir qualidade aos textos quanto ao conteúdo e à estética.

 

  • Utilizando dicionários e outras fontes escritas para resolver dúvidas ortográficas e aquelas de significado.
  • Produzindo textos, utilizando estratégias de escrita: planejando o texto, redigindo rascunhos, revisando e cuidando da apresentação e da pertinência dos assuntos tratados.

*Controlando a legibilidade do escrito

 

3)    Desenvolver atitude crítica em relação à leitura e à produção de textos alheios ou próprios.

 

  • Analisando (com ajuda, se necessário) a qualidade da produção oral e escrita, alheia e própria, reconhecendo progressivamente a relação entre as condições de produção e o texto decorrente (no que diz respeito tanto à linguagem como à organização do conteúdo).
  • Comparando diferentes registros formais utilizados em diferentes situações comunicativas.
  • Analisando os sentidos atribuídos a um texto nas diferentes leituras individuais e discutindo os elementos do texto que validem ou não essas diferentes atribuições de sentido.
  • Explorando as possibilidades e os recursos da linguagem que se usa para escrever, a partir da observação e de análise de textos, especialmente os bem escritos.
  • Analisando progressivamente as regularidades da escrita:

*derivação das normas ortográficas; dificuldades regulares e irregulares;

*concordância verbal e nominal (e outros que se mostrem necessários a partir das dificuldades de redação).

*relação da acentuação com a tonicidade.

  • Usando o rascunho (esboço, primeira escrita do texto) como produção provisória.
  • Usando a revisão do texto como um espaço privilegiado de articulação das práticas de leitura de produção escrita e de reflexão sobre a língua.

*Relendo cada parte escrita da produção durante o processo de redação.

 

4)    Articular a parte do texto já escrita ao planejamento da parte que ainda vai escrever durante o processo de redação.

 

*Relendo cada parte escrita da produção de texto, para planejar o que resta escrever, durante o processo de redação.

  • Estruturando mentalmente partes do texto que quer escrever. 


 
AVALIAÇÃO
Fábulas são histórias curtas, em que os personagens são animais que se comportam como seres humanos e pode ser escrita em verso ou em prosa e no fim da história tem uma moral.
Trabalhar com fábulas em sala de aula é muito prazeroso. Despertar o interesse da criança para o aprendizado e lidar com a diversidade em sala de aula é um desafio diário enfrentado por nós, professores. Porém,  não se  pode perder o foco e deixar de trabalhar os pontos chaves de uma produção textual deste gênero. A importância das fábulas como recurso didático para a formação de valores nas crianças enfatiza a valorização da transmissão, construção e reconstrução de conhecimentos, formação de atitudes e valores, através do processo ensino e aprendizagem de uma maneira significativa.
O trabalho diversificado, coletivo, com a colaboração da turma serviu como uma referência, para que em duplas positivas e individualmente os alunos atingissem o objetivo de cada atividade.
A capacidade de análise coletiva, em data show, dos aspectos discursivos e notacionais priorizaram cada aspecto em um momento, ora priorizando o olhar sobre a repetição de palavras, estruturação, coerência ou ortografia, ou seja, a revisão textual foi sendo trabalhada conforme a necessidade de toda a turma.
A ideia do esquema de ação, afim de ajudar os alunos a “planejar” o texto, ao por no papel as principais ações, colocando-as em sequência dentro de cada etapa auxiliou na organização do pensamento do que deveriam escrever.
Os patamares de aproximação ortográfica foram utilizados, sabendo-se que há um contrato de escrita comum e que o texto apresenta sua função social. Para ser lido e compreendido, faz-se necessário a padronização e a estética do mesmo de acordo com os aspectos discursivos textuais e, para isso o aluno deve estar ciente que e existem convenções ortográficas e aspectos morfossintáticos semânticos.
Em todos os momentos, buscou-se antecipar um resultado positivo através da valorização do trabalho realizado pelos educandos. Os alunos foram motivados na escrita e impressão do livro, confecção das dobraduras, na leitura em voz alta e no compartilhamento do trabalho com os pais e responsáveis através do Blog da classe.
 

Avaliação do professor e coordenador pedagógico

                Acreditamos que a atividade favoreceu as aprendizagens previstas no planejamento, pois ficou clara a qualidade na produção escrita dos alunos, já que os mesmos empregaram os aspectos discursivos e notacionais em suas escritas no decorrer do Projeto “Confabulando com fábulas”.

            Um semestre foi suficiente para o desenvolvimento da proposta, bem como o alcance dos objetivos previstos. A organização do espaço e agrupamentos dos alunos foi estrategicamente planejadas de acordo com as diferentes etapas da atividade. A diversidade sempre esteve presente nessas estratégias: duplas produtivas em função dos conhecimentos dos alunos (um exemplo foi o caso de um aluno ainda não alfabetizado, onde o mesmo ditava o texto para seu colega escrevê-lo); escrita e revisão coletiva com os alunos em círculo; digitação no computador em duplas; etc.

            Observamos que os alunos já conheciam algumas fábulas, mas que mesmo assim aumentaram seu repertório com relação a esse gênero, devido à grande variedade e qualidade dos textos apresentados. Isso contribuiu bastante para o desenvolvimento das atividades.

             A professora foi muito clara em suas explicações, colocações e intervenções. As intervenções concentraram-se nos momentos de revisão dos textos, onde os alunos foram levados a refletir sobre suas produções e de seus colegas.

            Os alunos sentiram-se muito motivados durante o projeto, em especial nos momentos de produção/revisão e na confecção do livro de dobraduras, participando ativamente e sempre mostrando-se interessados no tema. O fato de que os textos seriam publicados ao final do projeto, trouxe um motivo a mais para o envolvimento dos alunos, já que a função social desse gênero ficou clara desde o início das atividades.

            A aprendizagem efetivamente só ocorreu devido ao excelente planejamento das atividades, bem como as intervenções precisas e pontuais realizadas pela professora. As etapas planejadas contribuíram devido à sua clareza e objetividade: dos objetivos ao produto final. Segundo o dicionário, intervir significa “estar presente, tornar-se parte, mediar, modificar”, portanto, se basearmo-nos nesta definição, sem dúvida nenhuma a intervenção ocorreu plenamente!

Foi emocionante ver o envolvimento durante as produções e a confecção do livro de fábulas feito pelos alunos!

 

             ESQUEMA DE AÇÃO



 
A ideia do esquema é ajudar os alunos a “planejar” o texto, ao colocar no papel as principais ações. A escrita propriamente dita só começa a partir desse plano inicial.
A partir do esquema geral, os alunos detalham as ações, colocando-as em sequência dentro de cada etapa.
Só depois de o esquema estar pronto, é que se parte para a produção propriamente dita do texto. Com o tempo, à medida que os alunos vão aprendendo sobre o tipo ou gênero estudado, o professor vai liberando os alunos de fazer previamente o esquema.
A proposta é de se trabalhar com esquemas para potencializar a aprendizagem da pontuação.

          

Etapas

Fábula: O lobo e o cordeiro

 

1ª etapa: O cordeiro estava bebendo água

2ª etapa: o lobo se aborreceu

3ª etapa: o lobo leva o cordeiro para a mata e o esquarteja

 

 

Etapas

Fábula: O cachorro e sua sombra

 

1ª etapa: O cachorro roubou um pedaço de carne

2ª etapa: No caminho ele viu seu reflexo no rio

3ª etapa: O cachorro queria roubar a carne de sua sombra

4ª etapa: Ele ficou sem sua carne

           

 



quarta-feira, 17 de julho de 2013

Prêmio Alexandrino Garcia 2.013

“Do diário ao blog: construindo nossa história”

1. Público beneficiário: professora e alunos do 4º ano A do Ensino Fundamental I da E.M.E.B. “Dr. Valeriano Gomes do Nascimento”- CAIC. Localizada à Rua José Gianesella, nº 581, no bairro City Petrópolis, Região Norte, na periferia da cidade de Franca-SP, iniciou suas atividades no ano de 1.996.
A heterogeneidade é a marca dos diferentes contextos que vivem nossos alunos. As condições de moradia (tipo de construção, se a moradia é própria ou não, etc.), por exemplo, variam muito. O número de pessoas residentes nas casas também é bastante variável. Há também oscilação quanto à distância entre o lugar de moradia do aluno e a escola (alunos residentes em bairros próximos ao da escola e, alguns que moram na zona rural). O nível de escolaridade dos pais é diversificado, pois existem os que possuem o primeiro grau completo ou incompleto, assim como os que possuem o segundo grau completo ou incompleto, além dos que concluíram ou não o nível superior de ensino. Alguns pais (minoria) não alfabetizados também fazem parte deste diagnóstico. A renda familiar é, da mesma maneira, marcadamente diferenciada, o que permite constatar as várias classes sociais de origem das crianças. A constituição familiar revelou, igualmente, a heterogeneidade de vida e dos contextos em que nossos alunos estão inseridos: na minoria dos casos a criança vive simultaneamente com seu pai e mãe; em certas situações apenas com a mãe, às vezes com outros parentes (tais como avós paternos ou maternos) e, em outros casos apenas com o pai. Por outro lado, é necessário registrar que apesar dessa diversidade, as expectativas da família em relação à escola são muito semelhantes. Todo esse panorama foi muito importante, pois dele pudemos definir que as crianças têm diversos modos de inserção e compreensão do mundo físico e social que as rodeia. Considerando-se, ainda, que a construção de conhecimentos a respeito dos outros, de si mesmo e da realidade social é influenciada pelas ações e interações significativas da vida, cabe à escola respeitar esses contextos e, ao mesmo tempo, proporcionar o convívio sadio entre os mesmos, oportunizando trocas de experiências e acesso a novos conhecimentos. Os alunos que participaram da experiência aqui relatada fazem parte dessa clientela e justamente seu razoável rendimento escolar foi uma das motivações para o desenvolvimento do Projeto.
2. Período de realização: fevereiro a dezembro de 2.012.
3. Justificativa: Desde o início dos tempos, o homem vem procurando aprimorar o seu meio, de forma a atender às suas necessidades. Nesta procura, a sociedade vai se transformando à medida que o homem evolui. Uma das características principais dessa evolução foi o desenvolvimento da linguagem e as suas diversas formas de transmissão e expressão. A tecnologia já faz parte do cotidiano da escola e é notório o avanço cognitivo dos alunos. No dia a dia, percebe-se a importância da comunicação digital, pois é grande a falta de oportunidade no meio social característicos da turma de alunos envolvidos. Assim, além de propiciar este tipo de comunicação no laboratório de Informática, via internet, a criação e manutenção de blogs propicia o desenvolvimento de atividades significativas e criativas, que despertam o interesse. Coube à escola, neste caso, iniciar a formação dos alunos para terem acesso e darem sentido à informação que recebem dos diversos âmbitos da sociedade, proporcionando-lhes capacidades de aprendizagem que lhes permitiram a assimilação crítica da informação, sua utilização estratégica e a sua conversão em conhecimento verdadeiro, em um saber ordenado. Os alunos, certamente, já ouviram falar sobre “diário”. Então o objetivo maior desse projeto foi planejar e ampliar o repertório dos alunos, de modo que eles pudessem compreender e apreciar esse tipo de texto, além de melhorar suas produções textuais. Escrever um diário é um hábito antigo e universal. Os primeiros diários pessoais de que se tem notícia eram chamados livros de cabeceira no Japão do século VIII. Dentro dessa perspectiva o professor que faz uso do gênero “diário”, pode desenvolver a habilidade escrita explorando um registro mais informal onde o aluno tem a liberdade de expressar-se de maneira mais espontânea. Além disso, trabalha também a habilidade da leitura, por um gênero familiar aos discentes, cujo conteúdo personalizado desperta interesse; e as habilidades orais, visto que o “diário” pode ser compartilhado e até representado, promovendo um exercício de compreensão e produção de textos orais. Portanto, o gênero discursivo "diário”, tendo em vista tais características, é um instrumento que pode servir tanto para o desenvolvimento das diferentes habilidades em sala de aula com os alunos quanto para a reflexão do professor sobre sua prática pedagógica contribuindo para a sua formação. A escrita do diário tem como objetivo proporcionar aos alunos mais uma situação significativa de registro e também apresentar-lhes mais uma função social da escrita. O mais importante é que os alunos encontrem sentido na escrita de um diário e se apropriem de mais essa ferramenta da cultura escrita. Os blogs também oferecem muitas possibilidades de uso em processos educativos, como, por exemplo, para estimular os alunos a escrever, trocar ideias, trabalhar em equipe, desenhar, visualizar de maneira instantânea o que produzem, etc. Para a educação, os blogs apresentam características muito interessantes, como por exemplo, a gratuidade e a facilidade no manejo, criação, administração e atualização, e também a facilidade na hora de realizar consultas. Além de ferramentas muito interativas, permitem o acompanhamento do progresso dos alunos e facilitam o trabalho colaborativo.
O blog tem muito em comum com o diário pessoal, uma vez que, num primeiro e fundamental momento, esses diários devem ser produzidos como um texto em que o destinatário é o próprio destinador.
As práticas educacionais deste novo milênio têm sofrido mudanças significativas, em função do impacto das novas tecnologias no ensino e na aprendizagem tanto em escolas públicas quanto nas particulares. Falar sobre a inserção de novos instrumentos, tais como o computador e, mais especificamente, a Internet dentro da escola, é desafiador e complexo, pois é como encontrar-se em terreno movediço, cheio de obstáculos, incertezas, heterogeneidades, opacidade e também novidades.
O presente projeto se apoia inicialmente nos resultados de avaliações internas e externas (Plano de Metas, SARESP, AVALIA, Prova e Provinha Brasil) realizadas em nossa escola, os quais demonstraram uma necessidade de planejar ações para sanar as defasagens relacionadas à Linguagem Oral e Escrita detectadas. Por isto, foi sugerido pela equipe docente o trabalho com o “diário pessoal” (da Educação Infantil até o 5º ano) e/ou blog (com o uso da internet, para alunos maiores). Como proposta, a turma de alunos sob minha responsabilidade concretizou as atividades que aqui são citadas. Sua interessada participação e as vivazes discussões geradas possibilitaram uma efetiva construção de conhecimentos, a ponto do desempenho dos alunos ter melhorado significativamente, em especial no tocante à Leitura e Produção de textos. Diante deste quadro este projeto se propõe a refletir sobre a produção textual a partir de diários e blogs, utilizados como instrumentos pedagógicos de comunicação, de interação e de veículo discursivo dentro da e na escola.
4. Objetivo: proporcionar aos alunos mais uma situação significativa de registro e também apresentar-lhes mais uma função social da escrita, além de, especificamente:
ü Ler, escrever e produzir em diferentes linguagens – verbal, matemática, gráfica, artística, corporal, - para interagir com o outro, expressando-se, interpretando, considerando a intencionalidade e usufruindo de diversas situações de comunicação.
ü Compreender a cidadania, observando as transformações sociais que visam o bem-estar comum, participando de questões da vida coletiva, preservando o meio ambiente, respeitando e compreendendo os outros e desenvolvendo uma imagem positiva de si mesmo.
ü Perceber-se parte integrante, dependente e transformador de um todo maior e dinâmico, buscando sua compreensão e interagindo com as outras partes.
ü Adotar postura coerente e flexível diante das diferentes situações da realidade, questionando-a e buscando soluções, respaldando-se progressivamente numa consciência crítica e bem formada.
ü Permitir que o aluno entre em contato com o texto de documentação e memorização das ações humanas.
ü Perceber a relação entre o texto literário e a História.
ü Exercitar a atenção para detalhes importantes na construção do relato.
ü Resgatar a experiência dos alunos, possibilitando o reconhecimento das diversas formas de expressão.
ü Refletir sobre as características do diário e/ou blog, definindo e diferenciando alguns conceitos do universo textual.
ü Pesquisar diários já escritos e blogs criados.
ü Conhecer alguns Diários (Contos) consagrados da Literatura.
ü Sensibilizar o aluno para perceber e identificar os recursos do diário e/ou blog.
ü Possibilitar a identificação e a criação de comparações, imagens e metáforas presentes nos diários e blogs.
ü Elaborar diários e/ou blogs com tema definido, em pequenos grupos, individual ou coletivamente.
ü Produzir a escrita individual.
ü Rever as escritas produzidas.
ü Opinar criticamente sobre as obras conhecidas e produzidas.
ü Ler por prazer, ouvir e apreciar a leitura.
ü Aprender a importância da escrita para o ser humano, para o desenvolvimento da civilização e, principalmente como um instrumento histórico.
ü Exercitar a produção e troca de mensagens entre os alunos no meio virtual.
ü Potencializar a colaboração e o intercâmbio de ideias entre os alunos.
ü  Conhecer e explorar os recursos das ferramentas de blogs.
ü  Aprender a criar blogs e ser produtor de conteúdo na Internet.
ü Estimular a autonomia digital dos estudantes, apresentando instrumentos de fácil utilização para consulta, pesquisa e desenvolvimento escolar.
5.    Conteúdos:
ü Produção verbal (atenção, percepção, imaginação e memória).
ü Comunicação e interação social, observando a existência de diferentes modos de falar, em diversas situações de interlocução, diante de diferentes interlocutores.
ü Vocabulário em diferentes contextos (narrações reais, contos de histórias etc).
ü Reconhecimento e distinção de diferentes gêneros textuais, com ênfase no gênero discursivo diário.
ü Leitura e compreensão de diversos textos, com a utilização das diferentes estratégias de decodificação, seleção, antecipação, inferência e verificação.
ü Produção e reprodução de textos escritos, observando a ordem cronológica dos fatos e o assunto tratado.
ü Funcionamento do sistema de escrita alfabética de forma convencional.
ü Produção de textos aproximando-se dos gêneros previamente lidos/trabalhados.
ü Conteúdo e estética textual.
ü Aspectos discursivos e notacionais.
ü Coerência e coesão.
ü Revisão textual.
ü Argumentações sustentadas por reflexões.
ü Meios de comunicação, sua evolução e a forma de utilização: o diário e o blog.
6.                  Metodologia:
Para tal, foi obtida a anuência dos familiares em reunião de pais por ocasião do Projeto, tendo em vista que seriam publicadas fotos das crianças na Internet durante a realização das atividades, bem como das produções realizadas. Socializou-se os objetivos do Projeto, ora sugerido como forma significativa de trabalhar os conceitos necessários para o avanço em habilidades próprias do 4º ano e de oportunizar a Inclusão Digital dos mesmos.
Iniciei o trabalho, com a turma realizando o levantamento dos conhecimentos prévios sobre diário e blog, pesquisa de diários pessoais (de familiares, do próprio aluno, da professora) e de Blogs na internet, utilizando a sala do Proinfo, onde os alunos aprenderam a acessar a internet.
Cada ação, acontecimento ou momento importante na classe ou na escola e atividades interessantes eram registrados pelos alunos individualmente em um caderno próprio que utilizavam como diário pessoal particular, inicialmente sem cobrança ou acompanhamento do que foi registrado. Em um primeiro momento, portanto, o importante era que os alunos encontrassem sentido na escrita de um diário e se apropriassem de mais essa ferramenta da cultura escrita. As atividades também eram fotografadas e as fotos arquivadas.
Posteriormente, os alunos aprenderam a fazer o login do blog da classe, nome do usuário, senha, como postar as fotos arquivadas e suas respectivas legendas e foram convidados a compartilhar os seus textos ou partes do texto e a digitá-los para postagem. Convidados a se divertir, começaram a exercitar a leitura, a escrita, o senso crítico e a familiaridade com a informática.
Passamos, então, a publicar materiais didáticos, socializar as produções dos alunos, divulgar o blog para os pais, que passaram a acompanhar on line as atividades e produções realizadas pelos alunos, pois já estavam cientes do projeto e autorizaram a divulgação de imagem das crianças nas tarefas escolares cotidianas, tornando-se nossos parceiros e colaboradores.
Os alunos passaram a preocupar-se em escrever melhor, para que seus textos fossem publicados, estimulando a autoavaliação. Avançaram consideravelmente na leitura e nas produções textuais.
A página do Blog já existia desde o ano anterior, quando foi trabalhado com outra turma de alunos o Projeto de incentivo ao uso dos computadores e ferramentas do Programa Nacional de Tecnologia Educacional (Proinfo). Os alunos se inteiraram do projeto que havia sido realizado,  acessando o blog na sala de informática. A intenção é deixar a página no ar e que, a cada ano, um novo Projeto surja englobando inclusão digital, prática da pesquisa e da escrita com o uso da tecnologia e aulas interativas.
No decorrer do Projeto, realizamos a leitura e interpretação oral e escrita de trecho do livro "O diário escondido de Serafina", de Cristina Porto, realizando o levantamento dos significados da palavra diário, post-scriptum e uso de metáforas.
Apresentei alguns livros consagrados da literatura: Robson Crusoé, de Daniel Defoe, adaptação de Werner Zotz; O diário de Zlata- A vida de uma menina na guerra, de Zlata Filipovic; Diário de uma garota nada popular, de Rachel R. Russel e Nate volta a atacar, de Lincoln Peixe. Durante as leituras, analisamos a diferença entre o diário como relato de experiências diárias, ou seja,  fatos fundados na realidade e registrados de maneira íntima por seus autores, cuja função primária é memorial e os diários ficcionais, como O diário escondido de Serafina.
Os alunos, que já participam do programa de leitura da rede municipal de ensino, foram reunidos em Clubes de Leitura. Cada grupo ficou responsável pela leitura de um livro do gênero discursivo diário e apresentação para a classe do mesmo. Os livros utilizados foram: Serafina- Primeiras histórias, de Cristina Porto; Minha temporada com os pinguins- Um diário Antártico, de Sophie Webb; Diário de Kika, de Monica Dirce de Camargo Coutinho; Tipo assim, Clarice Bean, de Lauren Child; Diário de um banana, de Jeff Kinney.
Passamos então para a produção textual. Os alunos realizaram a reescrita de livros do programa de Leitura: O ouro de Midas, adaptação de Adriana Bernardino e Dom Quixote, de Miguel de Cervantes. Fizeram a revisão dos textos produzidos (coletiva, em duplas e individual) buscando adequar aspectos discursivos e notacionais, ortografia, coesão e coerência, considerando o leitor e o gênero. Em seguida, digitaram e postaram no blog os textos escolhidos pelos alunos.
Para complementar o trabalho, realizei a leitura (por capítulos) do livro “O diário de Anne Frank” e assistimos ao filme. Os alunos se interessaram em pesquisar mais sobre a perseguição nazista aos judeus e a Segunda Guerra Mundial.
Realizamos a leitura compartilhada/colaborativa da reportagem “Escrever um diário melhora a saúde e o bem-estar” (texto retirado do blog: mdemulher), que despertou grande interesse sobre HIV e modos de transmissão do vírus, assunto que foi mencionado na reportagem. Após discussão sobre o assunto, propus a produção, de um diário pessoal individual, de situações significativas do dia-a-dia, de conteúdo personalizado (função social da escrita).
Refletimos sobre bulling e a importância da criação de uma imagem positiva de si mesmo, após assistirmos os filmes Diário de um banana 1e 2.
O trabalho com o blog buscou despertar o gosto pela leitura e escrita e a melhoria na qualidade das produções textuais, nos aspectos discursivos e notacionais. Os alunos  buscaram ganchos nas atividades propostas para abordarem outros temas de interesse para reflexão, discussão, pesquisa na Internet e ampliação de conhecimentos. O blog, gênero eletrônico  que permite a publicação de relatos pessoais ou coletivos serviu como meio de divulgação das atividades escolares e, passamos a utilizá-lo também como Diário de bordo da classe, ou seja,  relato de  nossas experiências com finalidade pública. As atividades foram organizadas em torno de um grupo de gêneros que se relacionam por algumas características que compartilham, de caráter unificador - da ação inicial de pesquisar diários pessoais e blogs até a ação final de transformar o blog da classe em atividade permanente, através da leitura, escrita, análise linguística e oralidade. Pela leitura,  ao promover a aproximação aos gêneros e estimular o prazer pela leitura dos diários, por meio do Clube de leitura temático criado na classe. Pela escrita, ao abordar as características dos gêneros, estudar seus modos de funcionamento e desenhar com os alunos um produto final (o blog) para divulgação das atividades escolares. Neste processo, analisamos a escrita de diários, cuja finalidade é o registro pessoal (a origem dos diários nos livros de cabeceira japoneses), escrita de diários com finalidade literária (aproximando o registro factual da ficção) e escrita com finalidade de divulgação de informações (blog). Pela análise linguística, profundamente ligada à produção escrita, nas atividades de revisão, cujo foco era o trabalho com as convenções do sistema de escrita. Pela oralidade, trabalhada em caráter instrumental, nos inúmeros momentos propiciados pelas trocas de experiências entre os alunos.
7.   Avaliação:
O reconhecimento do trabalho efetivado em um contexto fora do escolar, por pessoas alheias a esta peculiar realidade, se deu através do bom desempenho dos alunos nas atividades propostas, participação e acesso dos pais e comunidade escolar ao blog, reportagem na  Revista “A rede de inclusão digital” e convite para apresentação no Seminário de Encerramento do Programa Algar Educa 2.012, a respeito de Comunidade Virtual.
A avaliação dos alunos se deu de forma processual e contínua, por meio de observação, registros, fotos e produções textuais que deram vida ao nosso blog. E assim fomos, registrando a nossa história.
8.                  Bibliografia:
- SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO. Referencial Curricular da Educação Básica das Escolas Públicas Municipais de Franca. Franca-SP: 2009.
- KINNEY, Jeff. Diário de um banana.2ª edição. São Paulo:  V & R Editoras, 2012.
- Diário de um banana. Thor Freudenthal. 94min. Fox Filmes, 2010.
- Escrever um diário melhora a saúde e o bem estar. In: Disponível em <http://vilamulher.terra.com.br/escrever-um-diario-melhora-a-saude-e-o-bemestar-9-6415477-126378-pfi-coisasdmenina.html>.
- DIAS, Lia Ribeiro. Educação Compartilhada. A rede de inclusão digital, São Paulo. 4º anuário, p.118-119, 2012-2013.
- FILIPOVIC, Zlata. O Diário de Zlata: a vida de uma menina na guerra. 1ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.
- PORTO, Cristina. O diário escondido de Serafina. 4ª ed. São Paulo: Ática, 2000.
- DEFOE, Daniel. Robson Crusoe. Adaptação Werner Zotz. São Paulo: Scipione, 1985.
- RUSSEL, Rachel Renee. Diário de uma garota nada popular. Verus. vol.3.
- PEIRCE, Lincoln. Nate volta a atacar. 1ª ed. Sextante, 2011.
- PORTO, Cristina. Serafina- Primeiras histórias. 1ª ed. São Paulo: Ática, 2004
- WEBB, Sophie. Minha temporada com os pinguins. 1ª ed. São Paulo: Globo, 2004.
- COUTINHO, Monica Dirce de Camargo. Diário de Kika. 3ª ed. São Paulo: Formato Editoral, 1997.
- CHILD, Lauren. Tipo assim, Clarice Bean. 1ª ed. São Paulo: Ática, 2004
- BERNARDINO, Adriana. Contos da Mitologia. Ed. Renovada. São Paulo: FTD, 2007.
- CERVANTES, Miguel de. Dom Quixote.4ª ed. São Paulo: Scipione, 2010.
- FRANK, Anne. O diário de Anne Frank.(adaptação Otto H. Frank e Mirjam Pressler). Editora Record.
- PROINFO: Programa Nacional de Tecnologia Educacional.

- BLOG. In: Disponível em: <http://alunosdos4sanoscaic.blogspot.com.br/search?updated-min=2012-01-01T00:00:00-08:00&updated-max=2013-01-01T00:00:00-08:00&max-results=20>.

Dom Quixote, por Pedro Henrique- 4º "A"